sábado, 15 de agosto de 2015

Odeio que me tenhas habituado à tua parcial ausência e odeio especialmente estar a lidar agora com a totalidade da mesma.
Alguma vez te disse que me tiravas completamente do sério?
Tu e essa tua mania de ir e voltar, essa tua mania de que ninguém quer ouvir as tuas desgraças pessoais, como se fosse impossível alguém gostar de ti se deixasses cair a máscara. Sempre foste a pior parte de mim, sabias? A pior e a melhor. Odeio-te por seres tão parecido comigo, aposto que se pudesses te rias neste momento. Típico teu.
Honestamente, não sei o que vi em ti, és o conjunto do que mais odeio em mim e o teu feitio é simplesmente insuportável quando não queres ninguém à tua volta. Sempre gostaste de ir embora sem dar explicações e voltar sem histórias para contar.
Sempre foste aquilo que de mais imprevisível houve na minha vida.
Se pudesse tinha-me ido embora, por sorte ou por azar já estava longe de ti.
Tiras-me completamente do sério ainda hoje. Não posso ignorar as tuas piadas de mau gosto e os teus ataques de indiferença vindos do nada. Nunca soubeste ser o mesmo por cinco minutos pois não? E no entanto foste sempre tu.
Não posso ignorar o quanto gostavas que te odiassem, o quanto querias a toda a força que alguém te desse razão cada vez que gritavas e esperneavas que não valias nada e que nada estava correto na tua vida. Parecia que tinhas gosto em virar as costas a tudo, perder-te, fugir, sair sem destino.
Ligavas e desligavas no momento seguinte, numa fracção de segundos arrependias-te, como se estivesses constantemente prestes a deixar cair a máscara mas nunca realmente o fosses fazer.
Era insuportável para ti a ideia de te conseguirem ler.
Podia ficar uma vida a enumerar tudo aquilo que odeio em ti e iria continuar a amar-te. O amor que sinto por ti morre comigo.

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