Divago pela minha mente e ela própria se perde sabe-se lá por onde. Sou feliz nos momentos em que me perco nas minhas questões e na momentânea ilusão de isto fazer sentido para mais alguém que não eu. Escrevo porque falar e não ser ouvida me incomoda profundamente. E por ser ouvida entenda-se muito mais que uma simples recepção de um som. Não é isso que ser ouvida é e se algum dia for eu não quero.
Não consigo dormir.
Não consigo parar.
Tudo isto é equivalente a uma máquina de lavar estragada que não pára de girar mas deita água por fora.
Sinto um aperto no coração e esse é o momento chave em que percebo que o tenho. É o meu momento eureka. A dor prova que estou viva mas não que estou a viver. Sou um ser vivo a tentar aprender a viver. (Não somos todos?)
Escrevo em busca de algo que me falta. Escrevo sobre aquilo que sei e aquilo que penso que sei. A resposta que cada criação me transmite revela-se muito mais proveitosa do que qualquer outra. Entretanto a minha busca não acabou. Vivi mais um dia, vi mais rostos, falei com mais pessoas e continuo na mesma. A mesma diferença de cada dia. Ou, melhor dizendo, indiferença. Não sou capaz de achar aquilo que procuro e talvez isso faça sentido tendo em conta que procuro algo relativamente parecido ao maior acaso da minha vida. Procuramos algo tão único, amamos algo tão único, e, estupidamente, tentamos achá-lo de novo. Procuro algo que já achei. Procuro algo que não sou capaz de pôr para trás das costas mas que sei que não tenho nem serei capaz de ter. Procuro deixar-me de merdas.
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